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Minha Rua

Os cheiros da minha rua me chamam E me fazem querer voltar pra lá Os aromas de café torrado Se misturam com os de jasmim E nunca sei de onde eles vem De todos os lugares da minha rua Brotam sabores e sons e música As pessoas e os carros vem e vão E o vendedor de quebra-queixo com seu triângulo? Que fim levou? Quando lembro da rua da minha infância Não sinto só saudade, eu me transporto Estou ali quando maus olhos se fecham E tudo por que passei quando lá estive Brota de mim, me envolve a súbito E os olhos não querem mais abrir...

Sem direção

Para onde corre a vida? Para onde corre você? Para onde corre o tempo? Que a gente nunca encontra tempo Pra parar de correr. Para onde corre a cidade? Para onde corre o metrô? Para onde corre o relógio? Que a gente traz sempre com ódio Porque se atrazou. E perdeu a hora E perdeu o sábado E perdeu o início De um filme que mal começou E perdeu a viagem E perdeu dinheiro Mas pra falar a verdade O que perdeu primeiro? Para onde corre a polícia? Para onde corre o ladrão? Para onde corre o governo? Que no final o desgoverno Corre a nação. Para onde corre o progresso? Para onde corre a razão? Para onde corre o futuro? Que todo mundo anda mais duro No seu coração. Porque perdeu a hora... Para onde corre... para! (Gerson Borges)

A 7 palmos d'água

Chove noite afora Mesmo sem saber Aqui me escondo A sete palmos d'água E neste escuro canto Me inquieto e choro Tudo muda de lugar Nada é como antes Minha alma se refaz Chove aqui dentro Enquanto amanhece Não penso em dormir Eu sei o que fazer

Falai de Deus

Falai de Deus com a clareza da verdade e da certeza: com um poder de corpo e alma que não possa ninguém, à passagem vossa, não o entender. Falai de Deus brandamente, que o mundo se pôs dolente, tão sem leis. Falai de Deus com doçura, que é difícil ser criatura: bem o sabeis. Falai de Deus de tal modo que por Ele o mundo todo tenha amor à vida e à morte, e, de vê-Lo, o escolha como modelo superior. Com voz, pensamentos e atos representai tão exatos os reinos seus, que todos vão livremente para esse encontro excelente. Falai de Deus. Cecília Meireles

Poesias do Coração

A Poesia não está somente nos versos, por vezes, ela está no coração e é tamanha a ponto de não caber nas palavras. ( In: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá)

Daqui da Rede

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Não tem vento Mas a lua - quase cheia - compensa Ouço canções,velhas conhecidas Os coqueiros não se mexem Parecem ter medo ou respeito Pelo som do mar que nunca se cala E nunca para, mesmo sem vento Amanhã vou embora... Queria ficar, isto aqui me atrai Algo aqui já me escravizou E não reclamo... Isto aqui é minha ilha Minha zona de conforto Meu exílio, meu oásis No deserto das mesmas coisas. O templo onde devo prestar O verdadeiro culto a Deus. Aquele portão está ali... O coqueiro inclinado também... Só não sei até quando... São personágens daqui Testemunhas do que passou E do que ainda virá Afortunados que são Por todo dia ver o sol nascer De camarote... Serra Grande, 21/01/2008

Se

A vida e seus desencontros Pessoas marcadas Pelos desmandos Das hipóteses... Se não houvesse o "se"... Tudo seria diferente... Tudo seria óbvio Tudo seria chato. E eu não seria... Serra Grande, 19/01/2008

Metamorfose

Metamorfose Olhar bem dentro do azul e ver a morte da borboleta libertar o amarelo. Acordar verde, talo de capim do derradeiro sonho da lagarta. José Inácio Vieira de Melo

Waly e a poesia...

já não me habita mais nenhuma utopia. animal em extinção, quero praticar poesia - a menos culpada de todas as ocupações. Waly Salomão, poeta jequieense Technorati : citações , poesia , waly salomão