11 de maio de 2009

VeroShop

Acho que é normal pra todo mundo. Pelo menos pra mim: Toda vez que invento de fazer algo eu mergulho naquilo profundamente e tento entender completamente como aquilo funciona. Eu leio, estudo, me envolvo e fico atento aos comportamentos e ao que as pessoas dizem.

Uma das atividades que tem tomado um bom tempo meu nos últimos meses é uma loja virtual que criei e estou tocando para divulgar a boa música que falo tanto aqui no blog. É a VeroShop (www.veroshop.com.br). Por lá já estão vendendo suas músicas artistas como Jorge Camargo, Tiago Vianna, Jo Rocha, David Lisboa Neto, Baixo e Voz, Gerson Borges, Lamartine Posella, Maurício Domene, Osman Martins, Silvestre Kuhlmann e Crombie. Em breve também estarão Arlindo Lima, Leon Neto, Amaury Fontenele, Roberto Gonçalves, Glauber Plaça, Fabinho Silva e Diego Venâncio entre outros. O site já conta com mais de 260 canções e contando... O objetivo principal nem é tanto vender as canções, mas prover um local diferenciado onde estes artistas possam ver divulgados seus trabalhos.

Mesmo porque vender música não é fácil hoje em dia. A primeira coisa que ouço quando falo da loja pra alguém é: "Mas alguém compra? Porque dá pra conseguir tudo que eu quero ouvir de graça!". Chega a ser frustrante.

É aí que começo o meu desabafo:

Piratear música já virou algo tão banal que as pessoas já não conseguem entender como é que ainda se vende música. E acabam invertendo o sentido das coisas. Acham que vender música é que é errado e baixar pela net não só é o certo como é o incentivado por todos. Acham que comprar na net não é seguro pois pode haver fraude. Quando baixar arquivos ilegais pela web pode expor seu computador a vírus, worms e estes programas que roubam suas senhas bancárias e podem acabar causando prejuízos ainda maiores.

Não escrevo isto para convencer ninguém a comprar nada em minha loja ou em lugar algum. Quem tem o espírito bucaneiro incrustado na sua cultura não compraria música nem sob a ameaça de uma arma em sua nuca. E diria: "Eu morro mas não compro! Isso é um absurdo!". É impressionante eles acharem um absurdo ser honesto. Bem o Rui Barbosa profetizou isto em 1914 quando disse no senado: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." Ser honesto é feio. Dá vergonha. "Se eu comprar uma música meus amigos que baixam na internet vão rir de mim. Vão me chamar de idiota. Vão dizer que eu fui enganado! Não posso passar por isso... seria um mico!"

O engraçado é que com outras coisas isto não funciona da mesma maneira. Se você compra um carro você provavelmente não quer dividí-lo com ninguém. "É meu e quem quiser um que compre o seu!". Mas com música tudo muda. A música é algo que aproxima as pessoas. É algo mais "religioso" e "futebolístico" do que "capitalista". Quando você mostra uma música a um amigo que ele não conhece você imediatamente se torna o "evangelista" daquela banda ou cantor e então mostra as canções quase dizendo "você precisa ouvir isto". E pra conseguir arrebatar um "fiel" você então copia as músicas para ele. É praticamente impossível fugir disso. Eu mesmo admito que já fiz isso e vivo a me policiar.

Por outro lado, uma coisa é copiar uma música para um amigo. Isso todo mundo fazia desde a época do vinil e das fitas K7. Quem não copiou um disco numa fita e deu pra um amigo? Eu mesmo tenho uma tenebrosa recordação de ter ganho de um amigo de meu pai em 1985 - como presente de aniversário de 11 anos - uma fita recheada de "belíssimos" instrumentais de Richard Clayderman. Não me recordo de ter ficado feliz naquela oportunidade, mas tenho a fita até hoje. O que acho insano é alguém querer lucrar com isto disponibilizando não uma mas milhares de músicas num site onde gera receitas com propagandas mil sem se importar com os artistas. E tem alguns que ainda colocam no site textos dizendo que são contra a pirataria. E se justificam dizendo que o que fazem é divulgar o artista. Não só desonestos mas também são uns hipócritas.

Só sinto pela música e pelos artistas. Principalmente os independentes. Que gastam fortunas do próprio bolso preparando um album. E depois assistem seu trabalho ser "liberado" na net sem nenhuma cerimônia enquanto os discos ficam em casa encalhados nas caixas. Sei que tudo isto terá que ser revisto e readaptado para estes novos tempos. Provavelmente os grandes selos conseguirão reaver o lucro de alguma forma mesmo disponibilizando as músicas de graça. Alguns selos já fazem isso. Só acho injusto... pois ao artista independente só restará o que ele ganha nas poucas apresentações ao vivo.

Não disse que me envolvo demais? É apenas um desabafo...
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