9 de dezembro de 2010

Pra que pensar?

Se quisesse chamar a atenção do mundo, bastaria fazer algo ridículo e se orgulhar daquilo. Este mundo se hipnotiza fácil com o medíocre, com o imbecil... Isso o entretem e fica tudo mais fácil pois não precisa pensar.

Se o mundo for pensar ele enlouquece consigo mesmo. O mundo sente nojo de si... Como também sentiríamos se nossas entranhas nos fossem expostas. As entranhas do mundo estão aí expostas pra quem quiser ver... E fedem...

Mas todos se viram para a TV pra ver um mundo maquiado, melancias penduradas na cabeça, manipuladores das marionetes que somos pois não trocamos o canal e aumentamos o volume e desligamos nossos cérebros.

Minha Rua

Os cheiros da minha rua me chamam
E me fazem querer voltar pra lá
Os aromas de café torrado
Se misturam com os de jasmim
E nunca sei de onde eles vem

De todos os lugares da minha rua
Brotam sabores e sons e música
As pessoas e os carros vem e vão
E o vendedor de quebra-queixo
com seu triângulo? Que fim levou?

Quando lembro da rua da minha infância
Não sinto só saudade, eu me transporto
Estou ali quando maus olhos se fecham
E tudo por que passei quando lá estive
Brota de mim, me envolve a súbito

E os olhos não querem mais abrir...

24 de setembro de 2010

Mar Nunca Visto

Este vídeo é lindo. Mostra a movimentação do mar de água que passa todo dia sobre as nossas cabeças sem que a gente se ligue muito nisto. O impressionante é que, assistindo, você fica se perguntando como é que conseguiram filmar isto com tanta qualidade e sem tremer a imagem. O homem tá ficando cada vez melhor no que faz.

The Unseen Sea from Simon Christen on Vimeo.


Impressionante!

25 de agosto de 2010

Tá Dizimado

Reproduzo aqui um email muito bem humorado que um amigo me enviou:

Caros e nobres sobrinhos, irmãos, primos, amigos and so on:

Ante a frequencia com que tenho visto e ouvido usarem "dizimar" em lugar de "entregar o dízimo", tive um branco intelectual e passei a ter dúvida se, por analogia, "sapatear" seria o mesmo que "entregar sapatos". Se for, a minha perplexidade ficará maior, pois conheço um sapateiro que teve uma perna amputada, mas, com a maior maestria do mundo, continua a entregar aos clientes todos os sapatos depois de prontos.
Em conversa com esse sapateiro, ele confessou-me que nunca se comparou ao talentoso ator Fred Astaire, mas que, antes de ter a perna amputada, era capaz de dar alguns passos interessantes. Acrescentou que após a amputação, tem sido para ele extremamente difícil sapatear. Diz que antes, quando ainda tinha as duas pernas, era bem melhor, mas agora não tem mais equilíbrio para sapatear, pois a sua tendência é cair. Esse senhor é sério, nunca foi apanhado em fraude, mas estou um pouco reticente; não seria isso uma desculpa esfarrapada, para tentar-nos convencer de que sapatear não é o mesmo que entregar sapatos ? Ele ressalva com muito orgulho, que continua a entregar com pontualidade aos seus fregueses os sapatos feitos ou reparados.
Tudo bem, acredito ser penoso ao sapateiro de uma perna só, sapatear nas condições adversas. Mas se dizimar é o mesmo que entregar o dízimo... Estou confuso, ajudem-me a elucidar isso, pelo que muito lhes agradeço.

Magno R Andrade

Gostei!

15 de agosto de 2010

Escritas

Que será de mim?
Eu que não escrevi nada
Que nenhum bem deixei
Para a posteridade

Que será de mim?
Eu que não fui celebridade
Não ganhei nenhum Nobel
Nem nada fiz por merecer

Jamais serei celebrado
Por minhas canções nunca cantadas
Por minhas poesias não lidas
Ou minhas obras inacabadas

Vou apenas tomar meu lugar
- o único que me foi reservado - 
No grande barco do esquecimento
Onde ficam os mediocres

7 de abril de 2010

A Música não pode ser laica

Sergio e Marivone, do Baixo e Voz. Colocaram um texto, uma carta no site Cristianismo Criativo onde explicam que foram preteridos por um site de MPB. Claro que fui logo visitar o tal site (não vou linkar pra eles aqui, eles não merecem). Eles enviaram o CD "Viagens de Fé” pra ser disponibilizado lá pois acharam que o som que eles fazem tinha tudo a ver com os discos que lá estão.

Eu pessoalmente não gostei do site. A favor deles tem o fato de ali constar um excelente acervo da música popular brasileira. Discos de música boa que não se acham mais tão facilmente por aí. Contra eles o fato de tudo que está lá ser totalmente ilegal, é um sitezinho de “pirataria” que ficou cult e até “chique” por piratearem discos de MPB. Também pesa contra eles o fato de serem preconceituosos: eles recusaram o disco do Baixo e Voz alegando que o disco contem “conotação religiosa” demais.

Ora!

A música é uma expressão do sentimento humano. Se neste sentimento permeiam - entre outros - valores cristãos, do candomblé, do espiritismo e até mesmo do ateísmo, obviamente isto vai se destilar na música que aquele indivíduo cria. Arte não pode ter conotação cristã? Então o quadro "A Volta do Filho Pródigo" de Rembrandt, o classico "Aleluia" de Hendel ou qualquer música de Bach ou escultura do Aleijadinho, e músicas que citam "Oxum" do Caetano também não são arte.

Existe meio que uma aversão do pessoal não-cristão em "misturar as coisas"... Lí uma vez o Aristeu contando que tentou gravar a canção "De Vento em Popa" com o MPB4... entrou em contato com eles, que gostaram da música mas se negaram a gravar dizendo que "não é bem a nossa praia". Mas esta aversão tem uma causa que já está entranhada em nossa cultura e não será fácil resolver a curto prazo:

No passado os cristãos escolheram se distanciar culturalmente das "coisas do mundo" e criar paralelamente uma cultura própria, onde nada que era "do mundo" podia ser sequer utilizado como referência... não se podia ouvir uma música. Dançar? Fora de cogitação! Há pequenos grupos em que a TV é proibida. Até o modo de vestir, cortar cabelo, tudo foi influenciado por este radicalismo em nome de uma santidade de fora pra dentro. Uns mais, outros menos mas o fato é que os cristãos se distanciaram. Esta separação custou muito caro e culminou por criar este "monstro gospel" estranho que nos faz ter vergonha de ser identificados como crentes e de sermos confundidos com toda esta aberração que vemos por aí nos dias atuais.

Por outro lado, eles acham que somos (me refiro aos cristãos) todos iguais. O preconceito que criamos para nos separar deles não é menor que o preconceito que eles tem por nós e vice-versa. Olha eu aqui tratando eles por "eles" e afirmando esta separação quase que por reflexo. Esta separação tem que acabar. Mas ela continua dentro de nossas igrejas, sobretudo no interior do Brasil - onde moro - onde isto tudo é ainda mais nítido.

Infelizmente estou entre os que não vê perspectiva desse quadro evoluir... Mas eu sonho sim em um dia ver canções de Miltons e Chicos cantadas em nossas liturgias e – porque não sonhar? – ouvir um Caetano ou um Gil cantando uma do Pimenta ou do Rehder.

4 de abril de 2010

Quase 1 ano parado

Gente... depois de quase 1 ano sem postar nada por aqui eu estou voltando. Poderia fazer como todo mundo e colocar a culpa no Twitter. Mas não! A culpa é minha mesmo. Fui relapso e parei de me ouvir... pretendo voltar a ouvir o que eu tenho a dizer e por o resultado disto aqui.
Os comentários aqui postados podem ser citados desde que se mencione junto o autor - no caso eu - e se coloque junto um link para este site ou o permalink para a página de postagem correspondente.