7 de fevereiro de 2007

Dias Difíceis e Desafiadores

Do dia 3 até o dia 20 de janeiro eu estava na praia e não cheguei a ver nada disso porque lá não tinha TV (ainda bem). Mas todo o Brasil assistiu e muito se comentou. Um destes comentários foi este que está transcrito aqui:
Mais notícias da Folha e outros periódicos novamente. Que trazem temor, tremor e desconforto. Notícias desta organização citada, em meio a de tantas outras em nosso país nestes últimos tempos. Isto tem virado lugar comum. Claro, nada novo debaixo do sol. Mas, lamentável o que continuam fazendo em nome do evangelho de Jesus.

Infelizmente tempo de auto-denominados pastores, apóstolos, bispos, etc, alguns por chamados “colégios apostólicos contemporâneos” e “organizações pseudo-evangélicas” que negam a herança judaico-cristã, os valores éticos e morais do evangelho do reino nos ensinado por Jesus em sua vida e sermão do monte, a mensagem dos profetas e dos verdadeiros apóstolos que tiveram a honra de morrerem por amor Jesus e sua Causa e serem testemunhas da ressurreição.

Pior, ver e sofrer com o silêncio e covardia de boa parte da liderança chamada evangélica reformada tradicional e pentecostal e da membresia de igrejas, que ficam em cima do muro ou ausente em suas manifestações de seus púlpitos, periódicos, boletins ou mídia própria, que não ajudam o povo a discernir os enganos e desvios que tem trazido descrédito e vergonha na sociedade. Fora ainda os conchavos eleitorais e eleitoreiros em épocas de eleições como as recentes, com evangélicos sendo usados como massa de manobra “em nome de Jesus” ou de candidatos “do céu”. Quanto tem custado nosso silêncio!

Os que caem em si e conseguem enxergar os enganos e ensinos espúrios e insanos que abraçaram ou seguiram, mesmo sinceramente, quando resolvem sair de onde foram aprisionados na mente e emoções, são inclusive perseguidos e amaldiçoados. E vão depois tentando perseverar aqui e acolá na comunidade do “evangelho maltrapilho” descrita por Brennan Manning em seu livro. Alguns outros, na verdade também, ficam perdidos e aprisionados em seus próprios pecados e mágoas, e abandonam tudo, infelizmente.

Somos mesmo uma sociedade onde a verdade não prevalece (como foi escrita por um periodista brasileiro recentemente), onde se transforma mentira e escuridão em verdade e luz, como a própria Palavra de Deus nos adverte. Que tempos difíceis para nós e nossos filhos.

Somos uma nação onde por exemplo bingos (em São Paulo tem até nome de “centro cultural”) e religião, continuam sendo os maiores caminhos para desvio e lavagem de dinheiro. Somos o país onde se compra a verdade e onde por decreto ou leis se legitima o erro, o injustiça, a safadeza, como se fossem valores éticos e morais corretos e justos

Tudo isso reflete em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas comunidades locais e em nossa sociedade onde estamos inseridos. Tem quebrado inclusive laços de amizade e comunhão que outrora existiram. Duro perceber que somos causa (nossa herança adâmica sempre presente) e conseqüência ao mesmo tempo.

Os resultados estão aí aos montes não é mesmo?: ridicularização da fé, descrédito dos chamados ministros do evangelho (pastores, evangelistas, etc), gente saindo de nossas comunidades cristãs, machucados, usados, feridos, descrentes, que tentam curar suas feridas, cultivar fé, comungar, em grupos ou pequenas comunidades nas casas ou reunidas em lugares alternativos ou sei lá onde.

Graças a Deus pelas exceções igualmente presentes em nossa realidade brasileira, igrejas também históricas reformadas, pentecostais e independentes, que não negociaram ou negaram sua história, suas crenças, confissões e valores, onde encontramos pessoas que são referencias de oração, devoção, amor à Palavra e ao próximo, de serviço na missão, inclusive por reconhecerem suas fraquezas, pecados e limitações e sua “inutilidade” e “falta de mérito”, como também reconhecida pelo apóstolo Paulo em final de carreira. Onde a humanidade é celebrada e reconhecida como um presente, onde Deus trabalha constantemente. O que somos, somos pela graça e por decisões feitas responsavelmente.

Mas temos que continuar, olhando também nossa própria vida, cuidando de nossos próprios corações mentes, profetizando também em nossa casa, tirando as traves de nossos próprios olhos, examinando nosso próprio coração e motivação, fazendo como o salmista nos encoraja no Salmo 139 um auto-exame, vendo se há em nós também algum mal caminho e corrigindo nossos passos.

Na certeza de que temos que continuar vivendo perseverando, olhando para o autor e consumador de nossa fé, e ajudando na expansão do evangelho do reino que cresce, sem nosso controle ou manipulação de qualquer autoridade chamada eclesiástica. Temos ainda missão, possibilidade de vida comunitária e de amizade, serviço, Causa e esperança.

Que o Pai com Sua graça nos ajude a não ficarmos em silêncio e omissos (nosso filhos amavelmente nos cobram isso), a perseverar junto com nossos queridos e irmãos de fé, no cultivo de uma espiritualidade cristã, até o dia em que estaremos diante do um Justo e Reto Juiz, como todos em todos os tempos, dando conta de nossas vidas.

Nelson Bomilcar
Quem ainda não sabe do que se trata clique aqui e leia a matéria no site da Folha.

Um comentário:

ronie disse...

É bem isso! pegou na veia! Posso afirmar ser tão real por que tem acontecido comigo. Estou prestes a me desligar ou até ser desligado da igreja que tanto me dediquei mas resolveu entrar na "onda evangelical". Não, meu coração não bate mais lá. Ó que me sobrou? 10 pessoas entre amigos e familiares que às quartas (iclusive hj)se reunem pra estudar a palavra e orar e mais uma pseudo banda que busca por composições que possam atrair pessoas para o Evangelho e não pra denominação.

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