16 de setembro de 2007

Os ideais e seus riscos!



Você já teve ideais que defendeu com unhas e dentes até perceber que estava "no barco errado"? Já se meteu em discussões acaloradas o melhor estilo "maria vai com as outras" em "cruzadas" contra isso ou a favor daquilo?

Lembro de ter acompanhado, por exemplo, Adriano e Cleyton - dois amigos meus - discutirem durante dias sobre livre arbitrio versus destino ou seja, o calvinismo versus arminianismo, ou seja, somos nós ou Deus quem define nosso caminho? Nossos atos definem nossa salvação ou Deus já escolheu quem será salvo? Eles discutiram isso durante muito tempo e nunca os ví chegarem a um acordo. Brigavam por ideias de dois caras que nem sei se chegaram a se conhecer.

Acho que o problema maior com os ideais é que nos envolvemos com paixão. A paixão leva ao ato por simples impulso. E depois vem o orgulho humano e nos envolve de vez. Quando menos percebemos estamos levantando a bandeira de algo que pode até ser perigoso. Não estou dizendo pra "não pegue a bandeira" e sim "veja em que barco entra". Nossa mente nos cega a ponto de nos fazer pensar que aquele é o barco certo. E você segue nele mesmo sem saber direito onde vai dar aquilo tudo. E sem mencionar o fato de que a paixão passa com o tempo. A paixão é um arroubo da juventude. A juventude nos faz apaixonar facilmente por ideais com a mesma facilidade com que nos faz trocar de ideais.

Os homens - naturalmente, instintivamente - tem a tendencia natural de seguir algum líder. Um homem sozinho tá tudo bem (e olhe lá). Mas se juntarem dois homens ou mais, pronto. Um vai querer liderar e os outros provavelmente serão liderados. O "líder" sempre é aquele mais esperto. Se ele for honesto, fará um bom trabalho, mas se não for, se não tiver ética, ele usará os liderados para seus interesses. Se houver dois homens num grupo com capacidade intelectual pra liderança não duvide que ali haverá uma cisão, quando não uma briga ou uma guerra. E os liderados irão seguir um ou outro e se defrontar com os "rivais". Isso é - claramente - a essência da política. Tem sido assim por toda a história da humanidade.

Um apêndice nesse assunto, já que mencionei a religião aí atráz... É meio assim com as religiões também. Quando o que era para ser objeto de tua religação com teu Deus se torna o objeto de contenda entre grupos por divergência de "posições funcionais" dentro daquele conceito todo. Se pode ou não pode isso ou aquilo - divisão. Se isso ou aquilo é de Deus ou do demo - divisão. Pensando no termo "religião", chegou a pensar que a tal "religação" não deve ser apenas entre o homem e o criador, mas também entre os homens e seus ideais. E o criador fica vendo essa balbúrdia de lá de cima enquanto rí e pensa: "- São só bebês! Meus filhinhos queridos!". Fim do apêndice.

Tenho medo de levantar bandeiras em nome de ideais. Há os grandes ideais. Isso não há dúvida. Mas também há ideais que vão mudando no decurso da vida. Até quem cria os ideais muda de idéia. E nós - mortais - que apenas os seguimos corremos o risco de estarmos sozinhos num barco em que o próprio capitão abandonou dizendo: "- Desculpe! Eu estava errado!"

2 comentários:

Ieda Sampaio disse...

Ca-ra-ca!
Muito bom. Rs.
A propósito, vamos criar uma Estação do Caminho da Graça nessa cidade?

Anônimo disse...

ja foi criada a reunião, tem ate o auxilio do pastor carlos bregantini do caminho da graça de são paulo,todas as quintas a reunião, no meu ap,ja tem 4 membros!

maiores informações

http://andandonagraca.blogspot.com/

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