A Música em Pessoa

Como disse acima, eu queria escrever, mas acabei achando este texto no site da gravadora Biscoito Fino que já diz quase tudo que eu queria falar. Portanto, porque não deixar os especialistas no assunto comparecerem um pouco? Então lá vai:
Lançado pela primeira vez em 1985, data em que se comemorou os cinqüenta anos de morte de Fernando Pessoa, A Música em Pessoa é um exemplo de casamento perfeito entre a poesia portuguesa e a canção brasileira.E tem também a ficha técnica:
São 15 poemas, musicados por alguns dos principais compositores brasileiros: Antonio Carlos Jobim, Francis Hime, Edu Lobo, Milton Nascimento, Sueli Costa, Arrigo Barnabé, Dori Caymmi, entre outros. Se Fernando é português na poesia, A Música em Pessoa é brasileira na canção.
Produzido por Elisa Byington e Olivia Hime, A Música em Pessoa traz, em sua nova edição, remixada e remasterizada, um bônus especial: a inédita versão de Tom Jobim para Autopsicografia (dos versos "o poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente"), cantada pelo próprio Tom.
A canção havia ficado de fora da edição original por um argumento simples: na euforia de musicar poemas de Pessoa, Tom excedera a encomenda fazendo três canções para o disco. Autopsicografia acabou ficando num baú virtual por 17 anos (mais ou menos como a obra de Pessoa, só revelada em toda sua grandeza depois da morte do poeta, em 1935).Tom interpreta ainda suas versões para O Rio da Minha Aldeia (minha predileta) e Cavaleiro Monge; Marco Nanini relê Passagem das horas, com música de Francis Hime; Francis e Olivia Hime cantam Glosa; Marília Pêra sustenta O menino da sua mãe, ambas com melodia de Francis; Nana Caymmi potencializa Segue o teu destino, musicada por Sueli Costa; Ritchie revela um aspecto britânico de Pessoa em Meantime; Jô Soares incorpora Álvaro de Campos em Cruzou por mim, veio ter comigo em uma rua da baixa..
A intenção das produtoras de A Música em Pessoa foi incluir os quatro heterônimos mais famosos do poeta: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares, além de poemas assinados por Fernando Pessoa - ele mesmo.
- Projeto: Elisa Byington
- Produzido por Elisa Byington e Olivia Hime
- Direção de Produção: Max Pierre
- Direção de Estúdio: Olivia Hime e Elisa Byington
- Técnico de gravação: Célio Martins, Garrafa, Dorey, Mário Jorge e Cacá
- Assistentes de estúdio: Julinho, Jackson, Billy, Leco, Beto, Marcelinho e Herlinton
- Assistente de produção: Jorge Corrêa
- Remixado no Estúdio Sarapuí por Gabriel Pinheiro, Rodrigo de Castro Lopes e Olivia Hime
- Assistente: Fernando Prado
- Remasterizado no Estúdio Visom Digital por Rodrigo de Castro Lopes
- Capa: Paulo Gomes Garcez
- Projeto gráfico do LP original: Ana Monteleone e Paulo Gomes Garcez
- Projeto gráfico deste CD (baseado no design original do LP): Arthur Fróes
- Arranjadores: Paulo Jobim, Dori Caymmi, Francis Hime, Ritchie, Toninho Horta, Edu Lobo, Edgard Duvivier, Jaques Morelenbaum, Gil Reys, Nando Carneiro e Chiquinho de Moraes
- Instrumentistas: Dori Caymmi (violão), Gilson Peranzzetta (piano), Luís Alves (contrabaixo), Francis Hime (piano), Celso Woltzenlogel (flauta), Eduardo Morelenbaum (clarinete), Sacha Amback (teclados), Gê Côrtes (baixo acústico e elétrico), James Müller (percussão), Toninho Horta (violões), Otávio Bonfá (guitarra), Jamil Joanes (baixo), Théo Lima (bateria), Max Pierre (bateria), Svab (trompa), Túlio Mourão (teclados), Cristóvam Bastos (piano), Nico Assunção (contrabaixo), Marcio Montarroyos (trumpete), Mário Bonfa (piano), David Ganc (flauta), Jaques Morelenbaum (cello), Tonho Barnabé (violões), Arrigo Barnabé (violões), Paulo Jobim (violão e flautas), Celso Porta (flauta), Botelho (1º clarinete), Justi (2º clarinete), Bruno (oboé), Nando Cordeiro (violões e teclado), Tom Jobim (piano), Danilo Caymmi (flautas).
- Orquestra de cordas: Aizik, Michel Bessler, José Alves, Walter Gomes, Paschoal Perrota, Francisco Perrota, Luiz C. Masques, Arlindo Penteado, João Jerônimo, Bernardo Bessler, Giancarlo Pareschi, Virgílio Arraes (violinos), Nelson Macedo, Hindenburgo Frederic Stephany, Eduardo Pereira (violas), Alceu de Almeida, Luiz de Samith, Jorge Kundert, Jaques Morelenbaum
- Coro: Tom, Ana, Paulo e Elisabeth Jobim, Paula e Jaques Morelenbaum, Simone e Danilo Caymmi, Maúcha Adnet
- O Rio da Minha Aldeia (Alberto Caeiro/Tom Jobim) Voz: Tom Jobim - 2m42s
- Segue o Teu Destino (Ricardo Reis/Sueli Costa) Voz: Nana Caymmi - 2m28s
- Glosa (Fernando Pessoa/Francis Hime) Voz: Francis e Olivia Hime - 2m51s
- Meantime (Fernando Pessoa/Ritchie) Voz: Ritchie - 4m21s
- Emissário de um Rei Desconhecido (Fernando Pessoa/Milton Nascimento) Voz: Eugênia Melo e Castro - 4m06s
- Passagem das Horas (Álvaro de Campos/Francis Hime) Voz: Marco Nanini - 5m23s
- Meus Pensamentos de Mágoa (Fernando Pessoa/Edu Lôbo) Voz: Edu Lôbo - 3m17s
- Livro do Desassossêgo (Bernardo Soares, Olivia Byington, Edgard Duvivier) Voz: Olivia Byington - 2m43s
- Saudade Dada (Fernando Pessoa/Arrigo Barnabé) Voz: Arrigo Barnabé - 50s
- Na Ribeira deste Rio (Fernando Pessoa/Dori Caymmi) Voz: Dori Caymmi - 3m59s
- Cavaleiro Monge (Fernando Pessoa/Tom Jobim) Voz: Tom Jobim - 1m44s
- O Menino da Sua Mãe (Fernando Pessoa/Francis Hime) Interpretação: Marília Pêra - 1m43s
- Quem Bate à Minha Porta (Fernando Pessoa/Arrigo Barnabé) Voz: Vania Bastos - 4m00s
- Cruzou por Mim, Veio Ter Comigo Numa Rua da Baixa (Álvaro de Campos/Nando Carneiro) Interpretação: Jô Soares - 3m58s
- Autopsicografia (Fernando Pessoa/Tom Jobim) Voz: Tom Jobim - 1m17s
Este disco é uma constelação de grandes nomes da nossa música, literatura, humor e teatro. Tudo junto num só trabalho e em torno de um grande poeta. Só a música pra fazer isso né? É de empolgar.
E pra terminar a letra da minha canção favorita neste trabalho:
O Rio da Minha AldeiaLindo e profundo! O que mais dizer?
Poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Música: Antonio Carlos Jobim
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o mundo
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Comentários
Abraço grande do Roberto Lima.