27 de março de 2007

Andarilho do Vento

Eu sempre recebo - não sei como nem porque - por email, de um Sr. chamado José Inácio Vieira de Melo, poesias, muitas poesias. Leio todas! E sempre as que me chamam mais atenção eu estou publicando por aqui. Citando o autor, é claro! Valeu JIVM pelas poesias. São benvindas!
Andarilho do Vento

Eu sou um velho ator sem palco e sem platéia
Que traz no cais do peito antigas ilusões
E do pouco que sabe interpreta lições
De palhaço que alegra os meninos da aldeia

Basta o dia raiar pelas bandas da aurora
- Levanta - bate a porta - e vai ganhar a rua
- Tropeça no silêncio em que flutua a lua
- Restos de solidão caminhando lá fora

Esqueço a dor - o espelho - as marcas do meu rosto
- Produtos do salário em que se paga o imposto
Cobrado pelo tempo e pelas fantasias

Andarilho do vento atravessando o acaso
Deixo a tarde no céu - o meu relógio atraso
E assim faço de mim a profissão dos dias

Adelmo Oliveira

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