11 de março de 2007

Retorno Terrível II

Aconteceu de novo! Mesmo carro, eu e Tote, dirigindo a noite, vindo desta vez de Ipiaú. Só que desta vez foi muito mais surreal:

Eu e Tote fomos a Ipiaú para dar manutenção em alguns computadores de uma clínica de lá que nos contratou. A ida foi perfeita. Chegamos na hora e fizemos nosso trabalho todo. Só que terminamos muito tarde e decidimos vir embora assim mesmo. Nossas caminhas quentinhas em casa nos chamavam. E partimos de volta para Jequié.

Assim que saímos de Ipiaú percebemos que a idéia não havia sido tão boa assim porque entramos numa neblina muito densa que não dava pra ver direito a estrada.... era um aviso... mas continuamos assim mesmo. Eis que há uns 2 quilometros antes de Jitaúna - pertinho da entrada para Itagibá - vem de lá uma picape com todos os faróis que tinha direito - e os que não tinha também - acesos na nossa cara. Ficou tudo branco e eu não ví mais nada. Estavamos andando devagar por causa da neblina e eu pisei no freio pra diminuir mais ainda porque não via nada e estava com medo de sair da estrada.

Foi tarde. A roda direita dianteira do carro caiu num buraco enorme. Só ouvimos a batida forte e imediatamente sentimos que o peneu dianteiro esquerdo havia furado. Paramos e - tranquilamente - colocamos o estepe. Pensamos que em Jitaúna seria fácil achar uma borracharia aberta... novo engano nosso... era sábado e a impressão que tive era que cada pessoa que eu via nas ruas de Jitaúna estava com um copo de cerveja na mão. Procuramos uma borracharia e não encontramos nenhuma. Todas fechadas.

Mas continuavamos a sentir as nossas caminhas quentinhas nos chamando cada vez com mais intensidade. Não pensamos duas vezes em arriscar vir para Jequié sem um estepe cheio. E lá fomos nós. Caímos novamente na estrada e com menos de 10 minutos nela, ocorre novamente o mesmo episódio: Um carro de lá com um irredutível farol alto; outro buraco enorme na estrada e outro peneu furado. Desta vez o dianteiro direito. Paramos na beira da estrada. Só ouvíamos os grilos e sapos daquela noite escura. Não havia mais estepe.

Começamos a analizar as possibilidades:
  • Entrar no carro, dormir e esperar amanhecer. Descartado porque a caminha quentinha nos chamava cada vez mais forte.
  • Voltar a pé para Jitaúna e tentar uma borracharia e/ou ligar pra casa em busca de ajuda.
  • Ir com o peneu furado até Jequié e depois comprar outro peneu e outra jante.
  • Ficar ali mesmo na beira da estrada e pedir ajuda para cada carro que aparecesse.
Antes de decidirmos vímos pela luz dos faróis que um carro estava se aproximando. Resolvemos rápido tentar pedir ajuda para aquele carro, mesmo sabendo que era praticamente impossível alguém para num lugar daqueles para dois caras no meio da noite. Mas não foi o que aconteceu: Era uma ambulância que passava. E imediatamente ele parou e nos ofereceu carona para Jitaúna. Pegamos o peneu furado, fechamos o carro, entramos na ambulância e fomos de volta a Jitaúna. O rapaz da ambulância sabia onde morava o borracheiro e foi buscá-lo pra nós.

Em alguns minutos já tinhamos borracharia aberta. Mas o peneu havia cortado na lateral num lugar que tornava impossível reparar com as ferramentas que ele tinha lá. Estavamos sem peneu. Mas o borracheiro procurou entre os seus peneus e achou um que nos serviria. Sem cobrar nada mais por isto ele prontamente nos emprestou aquele peneu.

O cara da ambulância nos levou de volta ao nosso carro e o borracheiro foi junto para colocar o peneu no lugar. Com o peneu trocado fomos ver o estrago no segundo peneu furado. Também havia sido cortado na lateral e a jante estava muito empenada. Não era possível arrumar em Jitaúna. E como ele não tinha mais peneus para nos emprestar. Resolvemos novamente arriscar a continuar a viagem sem estepe. E partimos. Agradecemos ao cara da ambulância e pagamos ao borracheiro. Eles voltaram pra Jitaúna e nós estávamos de volta à estrada.

Mas desta vez estavamos com tanto medo... viemos tão devagar que acho que alguém andando viria mais rápido. E conseguimos chegar a Jequié famintos e com muito sono. Nós então relaxamos e decidimos fazer um lanche no Corujão (um trailler que faz lanches maravilhosos). Lanchamos e quando entramos no carro... surpresa! O peneu que o borracheiro havia nos emprestado tinha esvaziado... o terceiro na mesma noite.

Mas aí eu já não tinha mais nada a perder... tem um posto na frente do trailler... fui até lá com o peneu baixo... pedi para o cara encher o peneu, fui levar Tote na casa dele e depois fui pra casa. São e salvo... finalmente! E dormimos cada um em sua cama quentinha...

Na manhã de domingo fui ver como estava o carro e pra minha surpresa os dois peneus do lado direito estavam furados. Foram quatro peneus numa única noite graças aos malditos buracos da BR 330 que liga Jequié a BR 101. Foi uma aventura e tanto!

Ah! Já ia me esquecendo de agradecer ao anjo da ambulância de Jitaúna que nos salvou ao nos ajudar. Ele não só nos levou a Jitaúna como ainda foi atráz do borracheiro e depois nos trouxe de volta ao carro. Sem querer nada em troca. Apenas para ajudar mesmo. O nome dele eu não sei mas ele nos disse que em Jitaúna todos conhecem ele por seu apelido "Guducha". Obrigado Guducha por tudo!

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